segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Bruno Sutter


Bruno Sutter
Ele ficou conhecido por dar vida ao personagem Detonator, vocalista da banda Massacration, que ganhou repercussão nacional ao misturar humor com Heavy Metal no extinto programa Hermes e Renato, da MTV, e através dos discos "Gates Of Metal Fried Chicken Of Death" (2007) e "Good Blood Headbanguer" (2009).
Além disso, a banda ainda integrou a programação da MTV com um programa próprio: o Total Massacration, que exibia clipes de bandas consagradas do Heavy Metal. Para completar, o grupo concretizou o estrondoso sucesso realizando vários shows pelo país, dividindo opiniões sobre o quão longe a piada deveria ir.
O Metal Clube conversou com Bruno Sutter, o intérprete do Detonator, que saiu do personagem para falar sobre a história da "banda", suas principais influências como vocalista do estilo e como mesclar humor com Heavy Metal na dose certa! Confira!
Metal Clube - Olá, Bruno, obrigado pela atenção. É um prazer para nossa equipe conduzir esse bate-papo.
Bruno Sutter - O prazer é todo vosso!
Metal Clube – Desde criança você é fã confesso do Rock/Heavy. Quando e como você se tornou um verdadeiro fã do rock/metal? E quão eclético você é?
Bruno Sutter - Comecei a ouvir Rock quando criança. Lembro de jogar bola perto da casa de um amiguinho e após o jogo fui visitar a casa dele. Estava tocando no rádio uma música do Bon Jovi, "You Give Love a Bad Name", e chapei! A partir desse momento perdi a vontade de brincar e comecei a querer somente ouvir música.
Como disse um amigo meu, meu gosto musical é quase esquizofrênico. Ouço de Cannibal Corpse a Lady Gaga, passando por Sérgio Malandro, Sarcófago e trio Los Angeles. Não posso ser radical em meus gostos musicais, pois preciso conhecer bastante coisa para o meu trabalho de sátiras musicais com o Hermes e Renato. Isso para mim é bem natural...
Banda Massacration 
Metal Clube - Você já atuou como vocalista profissional, começando a cantar ainda bem jovem em bandas de Rock/Heavy. Como isso aconteceu? Quais os vocalistas que influenciaram em seu estilo?
Bruno Sutter - Comecei em uma banda de Death Metal com 13 anos. Um amigo meu comprou uma bateria e montou uma banda chamada Insane Death. Na falta de um vocalista fiz um teste e passei (na verdade eu passei porque eu tinha um amplificador para ligar o microfone e a guitarra ao mesmo tempo). Com 14 anos comecei a cantar na noite com uma banda de Blues chamada Montana Blues e entrei para um coral e aprendi a cantar. Cheguei a me apresentar na Casa Rosada, em Buenos Aires na Argentina como tenor de um madrigal renascentista.
Sempre gostei muito do Ian Gillan e do David Byron. Eles têm estilos e timbres muito parecidos e me influenciaram bastante. Rob Halford nos anos 70 e Bruce Dickinson na fase do "The Number of the Beast". O Michael Kiske também me deixa incrivelmente bolado com sua timbragem perfeita...
Metal Clube - É impossível para nós, amantes do Heavy Metal, desassociarmos sua figura do "lendário" Detonator, vocalista da banda Massacration. Por favor, conte-nos um pouco sobre como surgiu o Massacration e qual era a proposta inicial dessa idéia.
Bruno Sutter - O Massacration surgiu como mais uma banda de sátiras de estilos musicais que fizemos para a temporada 2002 do Hermes e Renato, porém o grupo acabou tomando vida própria pelo impacto que o Metal causou na audiência do nosso programa. Porém, não tínhamos pretensão nenhuma de transformar o Massacration no que se tornou. Era para ser somente mais um grupo dentro do programa.
Metal Clube – Quando surgiu na mídia a banda causou polêmica entre os fãs de Heavy Metal. Em sua visão o Massacration está mais para crítica, sátira ou é mesmo uma homenagem ao Heavy Metal e seus fãs?
Bruno Sutter - De tudo um pouco. Como disse Chico Anysio humor pode ser tudo, até mesmo engraçado!
Metal Clube - Em certo prêmio recebido pelo Massacration, o convidado Kiko Loureiro (Angra) deu a entender que a banda estaria, de certa forma, roubando espaço de outros grupos mais sérios. Qual é sua opinião sobre esse episódio? Você tem algum peso na consciência sobre alguma coisa que o Massacration fez? Em algum momento você achou que a "piada" estava indo longe demais?
Bruno Sutter - Primeiramente convido a todos que não viram a assistir ao vídeo "Massacration zoa Kiko Loureiro" no Youtube. Ficou muito engraçado!
Acho lamentável esse tipo de postura. Isso significa que eu como humorista eu só posso fazer televisão? O Massacration fez sucesso não porque era um produto que foi forçado a se tornar sucesso. Foi somente uma boa idéia com um diferencial. O que algumas poucas pessoas erroneamente pensam é que o Massacration é uma banda de Heavy Metal como qualquer outra.
E isso é um equívoco quase infantil. Somos um grupo de humor que criou um grupo fictício. E isso de forma alguma tirou espaço – muito pelo contrário – fez uma propaganda ainda maior do estilo. Já perdi a conta de pessoas que chegam para mim falando que começaram a ouvir Massacration para depois ouvir grupos "sérios"...
Metal Clube - Como era o processo de composição das músicas? Não é difícil de perceber que algumas músicas parecem ter riffs e melodias "emprestadas" de clássicos do estilo. Você pode revelar algumas dessas "fontes"?
Bruno Sutter - Nos reuníamos em um estúdio: o Fausto na guitarra, Marco no baixo e eu na bateria/voz. Ali compusemos a maioria das músicas do Massacration. Todas foram compostas naturalmente, sem pensar em outras como referência. Somente pensávamos no clichê. A única música que eu assumo que eu roubei foi a linha de voz da 'Metal Bucetation', que foi a "The Dark Ride" do Helloween!
Bruno Sutter (centro) a frente do personagem Detonator
Metal Clube - Muitos fãs de metal são bastante radicais. Qual foi a maior dificuldade que vocês encontraram para misturar humor com Heavy Metal?
Bruno Sutter - Na verdade não foi dificuldade e sim ouro! Quanto mais carrancudo é o estilo melhor para satirizar.
Metal Clube - Quais são os planos para o futuro do Massacration? Existe algo planejado para um terceiro disco?
Bruno Sutter - Sim, temos. Vai ser algo diferente do que fizemos nos 2 discos anteriores. Não posso falar agora, mas é algo inesperado! Porém vamos retomar esse assunto somente em 2012
Metal Clube – Qual a contribuição, em sua visão, que o Massacration deu para o Metal brasileiro e suas bandas?
Bruno Sutter - Uma coisa que me orgulho muito foi ter conseguido colocar um programa de Metal dentro da MTV por intermédio da banda. O 'Total Massacration' ficou por 2 anos no ar com um repertório que não se via na MTV desde o fim do 'Fúria Metal'. Outra coisa foi um reaquecimento do estilo, pois bem ou mal se falou muito de Metal quando o assunto era o Massacration. E o principal: arrebanhar adeptos para o deus metal!
Metal Clube – Bruno, obrigado pela atenção. Deixe um recado para nossos leitores!
Bruno Sutter - Essa vida não passa de uma tremenda palhaçada. Aqueles que a levam a sério é que são os verdadeiros palhaços. Obrigado ao Metal Clube.

Discos preferidos: Master of Reality (Black Sabbath), Seventh Son of a Seventh Son (Iron Maiden), Symbolic (Death) e The Fame (Lady Gaga)
Melhor vocalista: David Byron e Tiririca
Melhor banda da nova geração nacional: desses novos eu gosto do Roberto Carlos.
Melhor show que já viu: Slayer. Fiquei com uma garota na hora do agudo da 'Angel of Death'. Eu tinha 14 anos. Foi engraçado!
Primeiro disco do Rock que comprou: Sabbath Bloody Sabbath (Black Sabbath)



Fonte: Metal Clube

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